JUVENAL ALVARENGA

27/07/2011

AVES MIGRATÓRIAS

 

 

AVES MIGRATÓRIAS

Andei ausente deste Blog por um bom tempo. Voltei. Nem sempre as alegrias nos trazem de volta ao ponto de partida. As tristezas exercem melhor esse chamamento. Voltar é uma espécie de arrependimento. Ou, então, por que partimos? E nunca voltamos  aquele mesmo da partida.

  

  “LAS GOLONDRINAS    

    QUE PARECE QUE VUELVEM

     NO SON LAS MISMAS

 

Gosto muito destes versos de Benedetti, grande  poeta uruguaio, pouco conhecido entre nós. Nessa pequena alegoria ele nos fala com singeleza da transitoriedade  da vida. Aquela nuvem espessa  de andorinhas migratórias que enegreceram os céus no ano passado e das quais nos despedimos com tristeza, agora voltam para nos alegrar com o alarido  de seu arrulhar sobre as árvores. Ficamos felizes porque voltaram. Mas ledo engano. Não são as mesmas.

 

Aquelas que partiram, faz um ano, cumpriram no longo caminho percorrido  a inexorabilidade de seus destinos traçados pela festa  e pela crueldade da natureza. Procriaram e morreram. As que parecem voltar são outras.

 

A cada partida – se voltamos - também voltamos outro. Nunca o mesmo que partiu.  Voltamos renovados ou empobrecidos, mas nunca os mesmos. É a lei da vida que desenha nossos destinos com o frágil carvão sobre um papel esgarçado. A brisa que sopra leve ou a tempestade que ruge nos transforma no fragor das alegrias e das tristezas.

 

Aqui estou.

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=rIBjAV0zbF0&feature=related


Escrito por Juvenal Alvarenga às 08h46
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